De geração em geração, saiba quem foi o francês Jean de La Fontaine, autor de fábulas que atravessam séculos!

 

            Deu vida aos animais ao escrever histórias inesquecíveis. Quem não conhece, por exemplo, "A cigarra e a formiga"? Esse texto é de um dos maiores fabulistas da era moderna: Jean de La Fontaine.

            Nascido a 13 de Julho de 1621 na cidade francesa Château-Thierry, na região de Champagne, La Fontaine não ouviu o pai e decidiu o seu futuro profissional. Chegou a estudar e completar o curso de direito, mas ser advogado não era a sua vocação. Pensou em ser padre, entrou para um seminário e, pouco mais de um ano depois... desistiu!

            Aos 26 anos, La Fontaine estava casado. Onze anos depois, separou-se e foi viver em Paris. A sua sensibilidade despertou-o para a literatura e, com o apoio de mecenas -- homens ricos que patrocinavam os artistas --, dedicou-se às letras.

            Começou por escrever poemas. A sua  primeira obra importante como escritor foi publicada em vários volumes a partir de 1665. Chamava-se Contos e destacava-se pela narrativa provocativa, que visava divertir o leitor. O primeiro dos volumes recebeu o nome de Novelas em versos extraídos de Bocaccio e Ariosto. O último livro dessa série foi finalizado em 1667. E La Fontaine não parou por aí!

              Inspirado nas literaturas clássica e oriental, começou a escrever fábulas, isto é, histórias em que os animais são personagens que representam os seres humanos e as suas manias. Na Antiguidade, o fabulista mais famoso foi o grego Esopo. E foi em Esopo que La Fontaine se inspirou para escrever as suas histórias. A série Fábulas foi publicada entre 1668 e 1694, totalizando 12 livros de contos, como "O lobo e o cordeiro", "A cigarra e a formiga" ou "O corvo e a raposa", entre outros.


             Em 1684, La Fontaine foi nomeado membro da Academia Francesa por ter feito do classicismo francês uma das mais belas expressões literárias da época. Doze anos mais tarde, já bastante doente, decidiu resgatar o seu interesse pela religião. Pensou em escrever uma obra sobre a fé, mas não chegou a fazê-lo. Morreu em 13 de Abril de 1695, em Paris, deixando para as gerações futuras várias lições sobre a condição humana.

             Na introdução de sua primeira edição de Fábulas diz: "Sirvo-me de animais para instruir os homens. Procuro tornar o vício ridículo por não poder atacá-lo com braço de Hércules. Algumas vezes oponho, através de uma dupla imagem, o vício à virtude, a tolice ao bom senso... Uma moral nua provoca o tédio. O conto faz passar o preceito com ele; nessa espécie de fingimento, é preciso instruir e agradar, pois contar por contar parece-me de pouca monta."

             Agora que já conhece a vida de Jean de La Fontaine, que tal ler um pouco mais sobre as suas fábulas, ou ver alguns exemplos?

 Juliana Martins
Ciência Hoje das Crianças
25/03/03 (Adaptado)

 

O que é uma fábula?

Fábula: é uma história ou pequena narrativa em que os animais ou forças da Natureza falam e dialogam uns com os outros como se fossem humanos. No final, há sempre uma lição ou moral a retirar. Os fabulistas mais famosos foram: Esopo e La Fontaine.

 

Obra abordada: A Rã que queria ser maior que o Boi    

 

A Rã e o Boi
Certo dia, num sítio distante,
A rã viu o boi e achou-o bonito, elegante
Tinha patas fortes, gordura e músculos
Cheia de despeito ficou a pobre rã, por ter apenas dedos murchos
Foi para a beira do lago e reparou na imagem do outro lado
Não era forte nem grande, como aquele boi majestoso.
Era pequena e redonda, só pele e osso.
“Ah como gostaria de ser como o boi: distinto, musculoso e colossal!
Espera, se eu inchar bastante

Talvez consiga ficar tão formosa quanto esse animal.”
E assim o fez, encheu o pulmão, até ficar como um balão
O peito inchado, quase sem voz perguntou à colega: E então?
“Não, ainda está muito longe de ficar daquele tamanhão.”
Cresceu ainda mais a rã invejosa, foi ficando volumosa
Já roxa, sem ar, ainda ouviu a colega falar
“Cuidado, pode-se magoar”
Mas já era tarde, a rãzinha inchou tanto que estourou
E estando sozinha, de si para si, a colega pensou
“Quem não se contenta com o que tem e deseja mais do que pode
Acaba por ficar sem nada.

A inveja prejudica quem a ela recorre.”

 

MORAL