Cidade de Amarante


   

Os primórdios da história de Amarante são nebulosos. Não há marcas da presença pré-histórica no espaço urbano, embora na região se tenham descoberto sinais do paleolítico e perto da cidade haja vestígios da cultura castrense e testemunhos da presença romana.
    A topografia das margens do Tâmega, onde hoje se instala Amarante, não era propícia à fixação de um povoado. A fundação pelos Turdetanos, povo ibérico, em 360 a.c., não tem fundamento histórico. A primeira referência passa pela presença de S. Gonçalo, um mítico santo que aqui se teria instalado numa ermida. Santo ou simplesmente homem bom, a ele se deverá a construção da primeira ponte cerca de 1250. Outra referência da mesma época vem nas inquirições de D.AfonsoII e, mais tarde, em 1343, nas de D.Afonso IV, embora se levante a hipótese de a primeira malha urbana não corresponder à actual e ter nascido nos terrenos de S. Veríssimo.
    A quase  completa completa destruição da cidade pelos franceses, em 1809, foi o tributo que Amarante pagou pela abnegação da resistência ao invasor. Em todo o caso, o património destruído mais antigo não ia além dos sécs. XVI e XVII. É só a partir de 1540 que a terra se desenvolve à volta do convento que os dominicanos construíram em honra de S. Gonçalo e do culto que então se fortaleceu, muito voltado para a fertilidade. Daí os símbolos fálicos que a igreja foi escondendo, mas que persistem por exemplo nos pães em forma de falo que se vendem nas festas.

    Junto à ponte se encontram a Igreja e o convento de S. Gonçalo, fundado em 1540 por D.João III, a instâncias de sua mulher, D. Catarina, cuja construção se arrastou pelos reinados de D. Sebastião e de Filipe II de Espanha. Já então o culto ao santo se tinha desenvolvido, o que levou os dominicanos a interessarem-se pelo convento, dele obtendo doação do cardeal D. Henrique.

 

     Na sua visita a Amarante não perca a visita à capela onde se sobressai a estátua jacente de S. Gonçalo, de pedra calcária e a Capela dos votos.

    O claustro e a parte conventual estão hoje completamente desfigurados pelos sucessivos usos que lhe foram sendo dados após a extinção das ordens religiosas ( 1834), ali tendo funcionado desde a Câmara a cadeias, tribunais, feiras e lojas de comércio. Hoje ainda se mantêm dependências camarárias e o Museu Souza- Cardoso.

    O museu é de visita obrigatória, pois ali está exposta a mais vasta colecção do nosso maior pintor do séc. XX. Estão presentes dezenas de quadros da produção de 1910 a 1918 e uma colecção de caricaturas sobre papel a tinta-da-china e água sobre tinta. Como se isto não bastasse para ser considerado um dos melhores museus de pintura moderna, dispõe ainda de uma sala dedicada ao pintor do princípio do século António Carneiro e de uma mostra de artistas seus contemporâneos, como Carlos Botelho, Cândido da Costa Pinto, Mylli Possoz, Cargaleiro, Carlos Calvet, Artur Bual, Manuel d`Assunção, Júlio Resende, Jorge Pinheiro, Eduardo Nery, António Pallolo, João Vieira e Noronha da Costa.

   Poderá   observar que em Amarante se instalou uma aristocracia rural culta, que deixou sinais nalguns solares e de gosto pela arte. Não esquecer que grandes vultos da cultura são amarantinos: a Teixeira de Pascoaes ( ver a abertura da página e o seu poema - A Minha Aldeia), Souza-Cardoso, António Carneiro, Abade de Jazente e outros.